Os Investimentos Mais Lucrativos do Shark Tank Que Ninguém Esperava (E Alguns Que Falharam Miseravelmente)

Quando Aaron Krause entrou no estúdio do Shark Tank em 2012 segurando uma esponja amarela com cara de emoji, os produtores provavelmente pensaram “lá vem mais uma ideia ridícula”. Afinal, quem investiria em uma esponja? A 3M havia rejeitado o produto. Lojas especializadas não demonstraram interesse. Mas Lori Greiner viu algo que ninguém mais viu – e aqueles US$ 200 mil que ela colocou na Scrub Daddy se transformaram em um dos investimentos mais rentáveis da história da televisão.

Hoje, a Scrub Daddy faturou mais de US$ 926 milhões. Não milhões. Quase um bilhão de dólares. De uma esponja. Com uma carinha sorridente.

Essa é a magia e a loucura do Shark Tank – o programa que transformou pitches de negócios em entretenimento primetime e criou mais milionários do que qualquer MBA poderia sonhar. Mas nem todos os investimentos seguem roteiros previsíveis. Alguns produtos que pareciam geniais quebraram. Outros que pareciam ridículos explodiram. E uns poucos se tornaram lendas.

Scrub Daddy: Da Lixeira Para US$ 926 Milhões

Os Investimentos Mais Lucrativos do Shark Tank
IMG: shark Tank Recap

A história da Scrub Daddy é tão improvável que parece roteiro de filme B. Aaron Krause vendeu sua primeira empresa – que fabricava discos de polimento – para a 3M em 2008. No acordo, tentou incluir uma esponja que havia inventado. A 3M literalmente disse “deixa isso com você porque não vale nada”.

A esponja ficou três anos dentro de uma caixa marcada como “sucata”. Em 2011, a esposa de Krause pediu que ele limpasse móveis de jardim mofados. Ele encontrou o protótipo rejeitado e ficou impressionado. A superfície suja ficou impecável sem esforço.

O segredo estava no material FlexTexture – uma fórmula que Krause desenvolveu e patenteou. Mergulhada em água quente, a esponja fica macia e absorvente. Em água fria, endurece para remover sujeiras difíceis. Não arranha superfícies delicadas. Não acumula cheiro nem bactérias por até dois meses.

Krause investiu US$ 150 mil para patentear a tecnologia e começou vendendo em mercearias locais. Um amigo dono de uma rede relatou números surreais: 200 a 300 unidades vendidas por dia em uma única loja. O normal era 2 ou 3.

No Shark Tank, Lori Greiner – conhecida como a “Rainha do QVC” – ofereceu US$ 200 mil por 20% da empresa. O episódio foi ao ar em outubro de 2012. Nas primeiras 24 horas, a Scrub Daddy faturou US$ 1 milhão.

Em 2023, as vendas acumuladas chegaram a US$ 220 milhões apenas naquele ano. A empresa expandiu para 45 produtos diferentes: esponjas maiores, versões com lado mais abrasivo, produtos específicos para banheiro, churrasqueira, carro. A linha completa mantém a cara sorridente característica.

Lori Greiner transformou seus US$ 200 mil em patrimônio estimado entre US$ 150-180 milhões apenas com essa participação. Krause construiu império de limpeza a partir de algo que literalmente estava na lixeira.

Bombas: As Meias de US$ 1,3 Bilhão

Os Investimentos Mais Lucrativos do Shark Tank

Se você acha estranho uma esponja valer quase um bilhão, espere até conhecer a história das meias.

David Heath e Randy Goldberg entraram no Shark Tank em 2014 com proposta simples: meias confortáveis que não escorregam, não formam bolhas e duram anos. Para cada par vendido, eles doariam outro para pessoas sem-teto. Filantropia embutida no modelo de negócio.

Daymond John – fundador da FUBU e especialista em moda – investiu US$ 200 mil por 17,5% da empresa. O pitch foi bom, mas nada extraordinário. Vendas iniciais eram modestas. O produto parecia destinado a ser apenas “mais uma marca de meias”.

Então aconteceu algo inesperado. Clientes começaram compartilhando fotos nas redes sociais. Não porque as meias eram revolucionárias tecnologicamente, mas porque eram absurdamente confortáveis. A proposta social ressoou com millennials e geração Z. Marketing boca-a-boca explodiu organicamente.

Em 2019, cinco anos após o programa, a Bombas atingiu US$ 100 milhões em vendas anuais. Em 2021, chegaram a US$ 250 milhões. Hoje, com vendas acumuladas superiores a US$ 1,3 bilhão, Bombas destronou a Scrub Daddy como o maior sucesso da história do Shark Tank.

Daymond John transformou seus US$ 200 mil em participação avaliada em centenas de milhões. Mas o impacto vai além do financeiro: mais de 75 milhões de pares de meias foram doados para pessoas necessitadas.

A lição é brutal: às vezes o produto não precisa ser revolucionário. Precisa resolver um problema real melhor que a concorrência e se conectar emocionalmente com os clientes.

DecorColors: O Investimento Mais Ousado

No Brasil, o maior investimento individual foi fechado em negociação que deixou todos boquiabertos. Leonardo Arruda pediu R$ 8,5 milhões por 25% da DecorColors, empresa de tintas decorativas.

João Appolinário fez contraproposta audaciosa: R$ 10 milhões por 50% da empresa. Arruda aceitou na hora.

Críticos chamaram de “loucura”. Appolinário comprou metade por valor superior ao pedido. Parecia aquisição hostil.

Três anos depois, a DecorColors operava com mais de 600 franquias. Faturamento de 2023 chegou a R$ 300 milhões. Projeção aponta R$ 1 bilhão.

O que Appolinário viu? Tintas decorativas eram categoria subexplorada. Grandes marcas focavam em paredes comuns. DecorColors atacava nicho de efeitos especiais: metálicos, texturas, customização.

Appolinário integrou a DecorColors à Polishop, colocou nas lojas físicas e TV. Transformou startup em marca nacional.

Visto.bio: Pandemia Como Catalisador

IMG PGN Globo

Rafael Serrano entrou no Shark Tank Brasil em 2020 com spray anti-odor para roupas. O produto da visto.bio impedia proliferação de microrganismos em tecidos e tinha propriedades antivirais.

Appolinário investiu R$ 500 mil por 40%. Dois meses depois, COVID-19 virou pandemia. A empresa cresceu 600% nos primeiros seis meses. Faturamento saltou para R$ 2,5 milhões em 2020.

O caso ilustra como timing pode ser tão importante quanto execução. Se Serrano tivesse entrado seis meses depois, talvez não conseguisse investimento.

Borda e Lenha: Explosão de Franquias

Gabriel Farrel tinha 23 anos quando entrou no Shark Tank Brasil em 2020. Sua pizzaria operava com duas franquias. Ele pediu R$ 300 mil para expansão.

José Semenzato e Felipe Titto ofereceram R$ 300 mil por 50% da empresa. Farrel aceitou, mesmo cedendo metade do negócio.

Quatro anos depois, a Borda e Lenha opera com 57 franquias em 10 estados. Os tubarões estruturaram operação, padronizaram processos, treinaram franqueados.

O modelo “rápida-casual” – mais rápido que restaurante, melhor que delivery barato – explodiu entre jovens. A pergunta que divide empreendedores: vale mais ter 100% de algo pequeno ou 50% de algo enorme?

Credere: Fintech Com Valuation Justo

João André e Luiz Fernando criaram a Credere, plataforma de financiamento de veículos. No Shark Tank, receberam R$ 400 mil de João Appolinário por apenas 15% da empresa.

Comparado com outros acordos onde tubarões exigem 40-50%, a Credere saiu barato. O modelo já estava validado. A empresa tinha tração. Os fundadores sabiam negociar.

Três anos depois, a Credere processa centenas de financiamentos mensalmente. A visibilidade trouxe credibilidade que startups levam anos construindo.

Os Fracassos Que Ninguém Conta

Nem tudo vira conto de fadas. Carol Paiffer admitiu publicamente ter tido “prejuízos consideráveis” em investimentos do programa. Das empresas que receberam aportes nas primeiras temporadas, cerca de 40% não existem mais.

O problema nem sempre é execução. Às vezes o timing estava errado. Ou o mercado era menor que o imaginado. Ou surgiram concorrentes mais capitalizados.

Investimento em startups é jogo de portfólio. Se você acerta uma Scrub Daddy ou Bombas, compensa dez fracassos. Mas é preciso estômago forte.

Ring: O Maior “E Se” da História

Antes de virar império de US$ 1 bilhão vendido para Amazon, a Ring – campainha inteligente com câmera – foi rejeitada por todos os tubarões do Shark Tank americano.

Jamie Siminoff entrou no programa em 2013 pedindo US$ 700 mil por 10% da empresa (valuation de US$ 7 milhões). Kevin O’Leary ofereceu o dinheiro, mas como empréstimo com juros absurdos e royalties por unidade vendida. Siminoff recusou. Saiu sem negócio.

Cinco anos depois, Amazon comprou a Ring por US$ 1 bilhão. Os tubarões que rejeitaram o pitch perderam oportunidade de transformar US$ 700 mil em US$ 100 milhões.

Kevin O’Leary admitiu depois: “Foi o pior erro que já cometi no programa”. A história virou lenda entre empreendedores – prova de que mesmo investidores experientes erram feio.

Lições Dos Investimentos Bilionários

Depois de analisar centenas de investimentos, alguns padrões emergem:

Produtos simples vencem complexos: Esponjas, meias, clips magnéticos. Os maiores sucessos são ridiculamente simples.

Timing importa mais que talento: visto.bio pegou pandemia no momento certo. Você pode fazer tudo correto e ainda perder por azar.

Controle acionário é ilusão: Melhor ter 50% de algo grande que 100% de algo pequeno.

Visibilidade vale ouro: Mesmo sem fechar acordo, empresas ganham exposição massiva do programa.

Ring: O Erro de US$ 1 Bilhão

Antes de virar império vendido para Amazon, Ring foi rejeitada por todos os tubarões em 2013. Jamie Siminoff pediu US$ 700 mil por 10% da empresa. Ninguém aceitou.

Cinco anos depois, Amazon comprou a Ring por US$ 1 bilhão. Kevin O’Leary admitiu: “Foi o pior erro que já cometi no programa”.

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